9 de janeiro de 2012

Programa de Vacinação em Cães

Um bom programa de vacinação protege o seu cão de inúmeras enfermidades

Por
Bruno Rogério Rui
Mestrando em Patologia Experimental e Comparada - VPT (FMVZ/USP)

Vacinação é o método com maior eficiência e eficácia na prevenção e controle das doenças infecciosas. Consiste na aplicação de antígenos, como partículas de vírus e bactérias atenuadas ou inativadas em um animal, para que este responda de uma maneira imune protetora. Contudo, a vacinação sempre deve ser acompanhada de avaliação criteriosa dos riscos e benefícios do procedimento.
No mercado existem várias marcas de vacinas para cães: nacionais ou importadas. No entanto, todas protegem contras as mesmas doenças, sendo essas: parvovirose, cinomose, coronavirose, parainfluenza, hepatite e adenovirose. Podem ser classificadas como v8, que fornece imunização contra as seis afecções relatadas e para mais duas cepas de leptospirose (Leptospira canicola e Leptospira icterohaemorrhagiae). E classificada como v10 que além dessas duas cepas promove proteção contra Leptospira grippotyphosa e Leptospira pomona. Recentemente surgiu a vacina v11 que contém em sua formulação mais uma cepa de leptospirose (Leptospira copenhageni). Vale lembrar que além destas vacinais múltiplas existe também imunização contra raiva, giardiose e tosse dos canis.
O calendário de vacinação mais utilizado é o que a primeira dose é aplicada com 6 semanas de vida (45 dias), a segunda dose com 10 semanas e a terceira com 14 semanas. Em cães adultos recomenda-se a revacinação anual.
Em gestantes a imunização é recomendada com 45 dias de gestação no intuito de promover a passagem de anticorpos da mãe para os filhotes, a chamada imunidade passiva. É de fundamental importância que a imunização seja sempre realizada pelo Médico Veterinário, pois antes do procedimento o cão deve passar por exame físico completo, porque para ser vacinado o animal precisa estar saudável, caso contrário a resposta vacinal pode ser prejudicada.
Também é importante ressaltar que deve existir o correto armazenamento das vacinas, uma vez que, o armazenamento de forma inadequada pode prejudiar a eficácia da mesma. Por existir esta responsabilidade, reforça-se a importância da vacina ser administrada sempre por Médicos Veterinários.
É válido salientar que nenhuma vacina tem 100% de eficácia, sendo sua proteção ligada a cada animal, o ambiente que o mesmo vive e sua exposição a diferentes
patógenos.


Referência: TIZARD, IR. (Ed). Imunologia Veterinaria. Uma Introdução. 6.ed. São Paulo: Roca, 2002. p.261-281.

Revisão e Correção: M.V. Daniel Angrimani
Mestrando em Reprodução Animal (FMVZ-USP)
São Paulo - SP

27 de novembro de 2011

Melanoma Oral Canino

A neoplasia é a mais comum dentre os tumores orais

Por
Nazilton Reis Filho
Aluno do 10º Semestre de Medicina Veterinária da UENP-CLM

Aline Lara Franciosi
Aluna do 5º Ano de Medicina Veterinária da UFPR

O melanoma oral tem prevalência de 6% dentre as neoplasias orais na espécie canina e em gatos este valor é menor do que 3%. A afecção é comumente observada em cães mais velhos existindo predisposição racial em animais das raças: Cocker Spaniels, Poodles miniatura, Kangals, Setter Gordons, Chow Chows e Golden Retrivers.
A localização clássica do melanoma são as mucosas orais, lábios, língua e palato duro. A neoplasia apresenta alto potencial metastático, sendo diagnosticado em aproximadamente em 80% dos casos. Os locais de predileção para metástases são linfonodos regionais e pulmões.
Os sinais clínicos presentes nos cães com melanoma oral incluem: aumento da salivação (sialorréia), edema facial, hemorragia nasal (epistaxe), perda de peso, mau hálito (halitose), descarga oral sanguinolenta e dor ao abrir a boca (disfagia).
O diagnóstico do melanoma oral deve ser baseado em histó
rico do animal, anamnese, sinais clínicos, exame físico e exames complementares como citologia aspirativa por agulha fina (CAAF), biópsia, radiografia, tomografia computadorizada e hemograma completo.
A cirurgia radical é o tratamento mais comum para melanoma oral, combinado com radioterapia e quimioterapia. A radioterapia isolada é a opção válida para tumores inoperáveis.
A extensão da cirurgia geralmente irá depender da região anatômica do melanoma, por isso, que o diagnóstico precoce possibilitará resultados mais promissores. Os prognósticos mais favoráveis irão depender do tempo de evolução do melanoma, localização, tamanho e a existência ou não de metástases.

Adaptado de: www.acvs.orgAnimalOwnersHealthConditionsSmallAnimalTopicsMandibulectomyandMaxillectomyindex.cfmdspPrintReady=Y


Referência: SMITH, S. H.; GOLDSCHMIDT, M. H.; MCMANUS, P. M. A comparative review of melanocytic neoplasms. Veterinary Pathology, v. 39, n. 6, p. 651-78, 2002.
Leitura Adicional: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1096286707000126

Revisão e Correção: M.V. Daniel Angrimani
Mestrando em Reprodução Animal (FMVZ-USP)
São Paulo - SP

31 de outubro de 2011

Erliquiose: A Doença do Carrapato

Por
Bruno Rogério Rui
Graduado em Medicina Veterinária na UENP-CLM

A Erliquiose é uma enfermidade infecciosa ocasionada por bactérias do gênero Ehrlichia, sendo a principal espécie a Ehrlichia canis. Atualmente a doença ocorre em todo o globo, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais e corresponde a 20% dos atendimentos em Hospitais e Clínicas Veterinárias de todo o Brasil.
A infecção acontece quando o carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus) pica os cães com o intuito de ingerir sangue, inoculando junto com a saliva, a bactéria. A Ehrlichia após se adentrar no animal irá destruir as células vermelhas do sangue, causando um estado de anemia severa e também irá destruir as células brancas, que tem como função a proteção do organismo, deixando o animal debilitado.
Os sinais clínicos que a Erliquiose irá provocar em um cão infectado podem ser divididos em três fases: Aguda; Subclínica e Crônica. A Fase Aguda ocorre no início da infecção e irá apresentar como sinais característicos: Febre; Perda total ou parcial de apetite; Secreção ocular e nasal; Perda de peso; Depressão e Hemorragias, que podem ser pela pele, tendo aspecto de Hematoma ou por sangramentos espontâneos, que acontecem após espirros ou pelas narinas.
A Fase Subclínica acontece somente em alguns casos, quando o animal consegue combater a Ehrlichia. Entretanto na maioria dos casos a doença se cronifica, iniciando a terceira fase, a Fase Crônica, que tem como sinal clínico: Todos os sinais da Fase Aguda atenuados e um estado de total debilitação, deixando o cão suscetível a infecção por doenças oportunistas, como pneumonias e diarréias.
Os animais diagnosticados e tratados precocemente têm em geral uma melhora em curto tempo. E como não existe vacina para prevenir que seu cão sofra de Erliquiose o controle dos carrapatos é de suma importância, o uso de produtos que agem no ambiente ou que podem ser usados no animal são geralmente utilizados, entretanto devem ser usados após a orientação de um Médico Veterinário.


Referência: BARSANTI, J.A. FINCO, D.R. Moléstias Prostáticas do cão. In: In: ETTINGER, S.J.; FELDMAN, E.C. Tratado de Medicina Interna Veterinária. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 2004.
Leitura Adicional: - http://www.qualittas.com.br/documentos/Erliquiose%20Canina%20-%20Gustavo%20Roberto%20Stori.PDF
- http://www.scielo.br/pdf/cr/v38n3/a27v38n3.pdf

Revisão e Correção: M.V. Daniel Angrimani
Mestrando em Reprodução Animal (FMVZ-USP)
São Paulo - SP